segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Que inclusão é essa? ? ?



       Inclusão não é somente colocar uma pessoa com deficiência em sala de aula e ignorar as suas necessidades. O primeiro passo para uma inclusão efetiva é aceitar que as pessoas são diferentes e tem necessidades educacionais especiais, que precisam ser pensadas e planejadas com antecedência.

Atualmente tenho visto tantos erros no sistema inclusivo, que estou indignada, pois muitos professores não entendem que a Libras é a primeira língua do surdo e o português a segunda. A Lei 10.436 - Art. 1o  cita: É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

A Lei cita que a Libras tem estrutura gramatical própria, ou seja, não podemos estudar a Libras baseados na língua portuguesa, pois a Libras é diferenciada e desvinculada da língua oral. A construção de uma frase em Libras obedece as regras próprias que refletem diretamente na forma que a pessoa surda processa suas ideias, e com base em suas percepções visual-espacial.

Frase em português
Frase em Libras
Eu vou à sua casa hoje à noite
Eu dei a flor para mamãe
Quantos anos você tem
Quando começaram as férias eu fiquei ansioso para viajar
Eu casa sua hoje noite
Flor eu dar mamãe
Idade você (Expressão interrogação)
Passado começar férias eu vontade depressa viajar
            Fonte: Livro Ilustrado da língua brasileira de sinais – 2010

Podemos observar que na Libras não tem preposição, artigos e conjunções, pois eles são incorporados no sinal. Os verbos são no infinitivo

- Surdos não conjugam verbos como nós ouvintes. Por exemplo: eu andei, tu andaste, ele andou. Para os surdos eles sempre irão conjugar o verbo no infinitivo: ANDAR, FALAR, BEBER, LER, CRER, RIR, CONSTRUIR. Para se ter noção do tempo eles sinalizam: ONTEM/ PASSADO/ HOJE/ AGORA/ AMANHÃ/ FUTURO. Ex: ONTEM EU CONHECER NOVO AMIGO

- Não há alteração do gênero masculino ou feminino, precisamos identificar na escrita com o (arroba) @. Exemplo: Menin@, Medic@, Amig@, pois não sabemos se é homem ou mulher.

 - Surdos também não têm um vocabulário amplo como o nosso. Para formar uma palavra, às vezes devemos usar dois sinais, chamados de sinais compostos que é a junção de dois sinais para formar outro. Ex:
Cavalo + listras = Zebra
Animal + pintas = Onça
Casa + estudar = Escola
Homem + vender = vendedor


Erros mais comuns em sala de aula:

Ditado: O surdo não consegue acompanhar, pois o português é diferente da Libras
Slides: O erro do slides é apagar todas as luzes, impossibilitando que o surdo enxergue o interprete. Lembrando que a Libras é uma língua visual
Filmes sem legenda: O surdo consegue acompanhar o filme com legenda em português, mas se não tiver ele não consegue.
Explicar enquanto escreve na lousa: O surdo precisa parar de copiar para prestar atenção no intérprete, diferente do ouvinte que consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Achar que o intérprete é o professor do surdo, responsável ou possui algum grau de parentesco:  O interprete é funcionário da escola, assim como o professor.
Exigir que o surdo escreva rigorosamente conforme a gramática do português: sem ter conhecimento que o português é a segunda língua do surdo.


Adaptações necessárias para cada deficiencia:

a) Para deficientes visuais: Um Ledor (uma pessoa para auxiliá-lo em sala de aula, copiar a lição da lousa, e ler provas e apostilas), material didático em Braille, piso podo tátil com relevo diferenciado para que o aluno possa se guiar sozinho, placas em braile nas portas das salas e banheiros, software Virtual Vision para leitura de telas no laboratório de informática, lupas eletrônicas e softwares que ampliam a tela do computador para alunos com baixa visão. A foto que se segue mostra a utilização do Braille em sala de aula.


b) Para deficientes físicos/ nanismo: Rampas, mesas e cadeiras reguláveis, portas e passagens adequadas, banheiros adaptados em todos os andares, corrimãos na altura adequada, catracas especiais, guias rebaixadas e vagas demarcadas na entrada da escola. 



c) Para surdos: Interprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para facilitar a comunicação e a socialização em sala de aula, material didático específico para surdos principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental e a utilização de recursos visuais para exemplificar o conteúdo ensinado.



Material didático em Libras 


Para que a escola garanta a igualdade do acesso e permanência de alunos com deficiência conforme está estabelecido na LDB 9.394/96 é indispensável que se cumpra todas essas mudanças. Além de mudanças na estrutura física, a mudança metodológica é fundamental para o desenvolvimento de todos os alunos.

Vale fazer uma reflexão para analisar se encontramos tais adaptações em escolas regulares, se a lei esta sendo cumprida, se as adaptações estão sendo feitas ou se as escolas apenas estão matriculando alunos com deficiência somente para cumprir a lei e ignorando suas necessidades educacionais.

A presença de um surdo em sala de aula requer que o professor se programe para incluí-lo no contexto escola, pois a inclusão não deve ser tratada apenas como a inserção de um Intérprete de Libras em sala de aula, é necessário uma metodologia diferenciada com a utilização de recursos visuais.

A escola Inclusiva precisa se conscientizar que a inclusão não se resume apenas em uma escolarização passada por um intérprete, precisamos de um novo paradigma.



Ufffa é isso, e vc? Conte um pouco das suas experiências em sala de aula.

O que é Surdo / Surdo-Mudo / Deficiente Auditivo

a  A) Surdo: A Lei 5.626/05 esclarece o conceito de surdez “considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras”. Os indivíduos que não utilizam a Libras como principal forma de comunicação, normalmente são chamados de deficientes auditivos. 
B) Surdo-Mudo: Conforme a FENEIS o termo surdo-mudo é um termo muito antigo, de quando as pessoas acreditavam que todos os surdos eram mudos, porém com o passar dos tempos perceberam que era possível ensinar um surdo a falar, portanto é uma expressão que é inadequada e cairá em desuso.
c  C) Deficiente Auditivo: A Lei 5.626 esclarece o que é deficiência auditiva “Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.”.
A deficiência auditiva está dividida de acordo com as suas características, pois este tipo de deficiência pode ser adquirido por diversos fatores, dentre eles estão causas relacionadas a acidentes ou até mesmo por falhas no sistema nervoso.
Graus de perda auditiva:
Existe 4 níveis de deficiência auditiva que são considerados perdas leve, moderada, severa e profunda:

a) Leve: A incapacidade de ouvir sons abaixo de 30 decibéis, principalmente quando há algum ruído de fundo.
b) Moderada: A incapacidade de ouvir sons abaixo de cerca de 50 decibéis. Aparelho ou prótese auditiva pode ser necessário.
c) Severa: A incapacidade de ouvir sons abaixo de cerca de 80 decibéis. Próteses auditivas são úteis em alguns casos, mas são insuficientes em outros. Normalmente se comunicam pela língua de sinais ou leitura labial.
d) Profunda: São considerados surdos, ou incapazes de ouvir sons abaixo de cerca de 95 decibéis. Tal como aqueles com perda auditiva severa, se comunicam principalmente através de língua de sinais, outros com uso das técnicas de leitura labial.